Periférico gamer: o que muda de verdade e o que é número de caixa
DPI alto não deixa ninguém melhor, RGB não é desempenho e o headset caro raramente ganha do fone comum com microfone. O que importa em mouse, teclado e áudio.
Atualizado em 10/09/2026
Periférico é a categoria com a maior distância entre o que a caixa destaca e o que muda na mão. Os números grandes — DPI, taxa de polling, quantidade de cores — são baratos de produzir e ótimos de anunciar. O que custa, e o que se percebe, quase nunca aparece na frente da embalagem.
Mouse: peso e formato, não DPI
Qualquer sensor moderno tem precisão muito acima do que uma mão humana aproveita. DPI de 26.000 não é 26 vezes melhor que 1.000 — a maioria dos jogadores usa entre 400 e 1.600 e reduz a sensibilidade dentro do jogo. É número de catálogo.
| O que olhar | Por que importa |
|---|---|
| Peso | Abaixo de ~80 g muda o cansaço em sessão longa. É o item nº 1. |
| Formato e tamanho | Precisa combinar com a sua pegada: palma, garra ou ponta dos dedos. |
| Qualidade do clique | Switch do botão é o que falha primeiro, com clique duplo fantasma. |
| Cabo ou sem fio | Sem fio moderno não tem atraso perceptível. O que muda é bateria e preço. |
| Pés de PTFE | Deslizamento. Barato de trocar e melhora mouse mediano. |
Formato é pessoal e não se resolve por especificação. Se puder, segure antes de comprar — e se comprar on-line, priorize loja com troca fácil. É a categoria em que devolver por não servir é mais comum do que por defeito.
Teclado: o switch é o produto
Em teclado mecânico, o que você está comprando é o switch embaixo de cada tecla. Os três comportamentos básicos:
- Linear: sobe e desce liso, sem barreira. Preferido para jogo, silencioso o suficiente para uso comum.
- Tátil: tem um degrau perceptível no meio do curso. Melhor para digitar muito, e o mais equilibrado para uso misto.
- Clicky: tátil com barulho. Satisfatório e péssimo para quem divide ambiente ou faz chamada de vídeo.
Teclado de membrana barato funciona bem para a maioria das pessoas — a diferença é conforto e durabilidade, não desempenho. E “anti-ghosting” deixou de ser diferencial: praticamente todo teclado atual registra as combinações que um jogo pede.
Headset: onde o dinheiro se perde
É o item mais superfaturado da categoria. Um headset dito gamer de preço médio costuma ter qualidade de som inferior à de um fone comum do mesmo preço, porque parte do custo foi para iluminação, plástico com aresta e um microfone mediano.
- Se o som importa, compare com fones comuns na mesma faixa — a diferença costuma ser grande a favor deles.
- Para a voz, um microfone de lapela ou de mesa barato ganha do microfone embutido em quase todo headset.
- Confira o peso e a pressão nas orelhas: sessão longa é onde headset ruim aparece.
- Som surround virtual de 7.1 é processamento, não alto-falante. Ajuda pouco e às vezes atrapalha a localização.
- Conexão: USB traz placa de som própria; P2 usa a do computador. Nenhuma das duas é melhor por natureza.
O que quase nunca vale o dinheiro
- Mousepad “de alta performance” com preço de periférico. Superfície grande e lisa resolve.
- Iluminação RGB como critério de escolha — é enfeite, e consome bateria em modelo sem fio.
- Botões laterais em excesso: acima de dois, a maioria nunca é usada.
- Cadeira gamer pela estética. Se a questão é postura, cadeira de escritório boa custa o mesmo e sustenta melhor.